
Um alto dirigente do futebol alemão defendeu a abertura de um debate sério sobre um possível boicote coletivo à próxima Copa do Mundo, marcada para os Estados Unidos, Canadá e México em 2026. O motivo alegado são as recentes ações e declarações do presidente norte-americano, Donald Trump.
O vice-presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), um dos responsáveis pela seleção nacional, fez a afirmação em entrevista ao jornal Hamburger Morgenpost. Ele citou especificamente a ameaça de Trump de invadir a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, como um exemplo das polêmicas que cercam o país anfitrião principal do torneio.
Segundo o cartola, chegou o momento de debater sobre a Copa do Mundo
“Chegou a hora de considerar e debater seriamente a possibilidade de uma retirada em massa da Copa do Mundo”, declarou o cartola. “Eu realmente me pergunto quando chegará o momento de pensar e falar concretamente sobre isso. Para mim, esse momento definitivamente chegou”.
O dirigente estabeleceu um paralelo com a postura adotada durante a Copa do Mundo de 2022 no Catar, lembrando que a seleção alemã foi censurada por tentar usar uma braçadeira com as cores do arco-íris em apoio à diversidade. “Catar era político demais para todos e agora somos completamente apolíticos? Isso realmente me incomoda”, questionou.
“Como organizações e como sociedade, estamos nos esquecendo de estabelecer limites e de defender valores. Tabus são parte essencial disso. Quando eles são ultrapassados? Quando há ameaças? Quando há ataques? Quando pessoas morrem?”, indagou.
O cenário para um eventual protesto esbarra em uma forte relação política no topo do futebol global. Apesar das polêmicas – que também incluem a paralisação na emissão de vistos para cidadãos de países já classificados para a Copa –, uma mudança de sede é considerada improvável. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, é visto como um grande aliado de Trump, o que dificultaria qualquer movimento contrário por parte da entidade máxima do futebol.
A edição de 2026 será a primeira com 48 seleções, e a maioria dos jogos, mais de 100 no total, está programada para ocorrer em estádios dos Estados Unidos.
