
A Ultrafarma, uma das marcas mais populares do varejo farmacêutico brasileiro, anunciou nesta quinta-feira (16/01) uma mudança drástica em sua estratégia de negócio. Após 25 anos operando na Avenida Jabaquara, na Zona Sul de São Paulo, a rede confirmou o fechamento de todas as suas sete unidades físicas para concentrar as operações em uma única “loja-conceito” de 3 mil metros quadrados, a ser inaugurada na Zona Norte da capital.
A decisão marca uma “virada histórica”, segundo o fundador Sidney Oliveira, mas ocorre em um momento delicado: apenas cinco meses após o empresário ter sido preso na Operação Ícaro. A investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apura um suposto esquema bilionário de propinas e créditos irregulares de ICMS envolvendo auditores fiscais da Secretaria da Fazenda.
O Novo Modelo: De Luiza Trajano à Inteligência Artificial
Inspirado por um encontro com Luiza Trajano (Magazine Luiza) e Luciano Hang (Havan), Sidney Oliveira afirma que o futuro da rede está na eficiência operacional e na experiência do cliente, em vez da pulverização de lojas.
“Percebi que o futuro não está em espalhar lojas pequenas, mas em criar um lugar onde tudo funcione melhor para quem compra”, afirmou o empresário em nota oficial.
A nova unidade contará com:
- Espaço Multidisciplinar: Integração de farmácia comum, farmácia de manipulação e Ótica Ultrafarma.
- Foco no Digital: A operação será integrada a um sistema de entregas expressas para a Grande São Paulo e frete nacional via centro de distribuição em Santa Isabel.
- Tecnologia: Uso de inteligência artificial para otimizar processos e reduzir custos, o que, segundo a empresa, garantirá preços mais competitivos.
Sombras do Passado Recente
Apesar do tom otimista do anúncio, o reposicionamento é indissociável dos problemas judiciais enfrentados pela cúpula da empresa. Em agosto de 2024, Sidney Oliveira foi alvo da Operação Ícaro. O MP-SP identificou mais de 170 e-mails que ligariam a Ultrafarma a Artur Gomes da Silva Neto, então supervisor da Secretaria da Fazenda, apontado como operador de um esquema de benefícios fiscais indevidos.
A empresa não esclareceu se a centralização das atividades e a eventual redução de custos fixos têm relação direta com os desdobramentos financeiros das investigações ou se haverá demissões em massa com o fechamento das unidades da Zona Sul.

Clientes da Saúde protestam: “Virou as costas para o bairro”
A notícia pegou os moradores do bairro da Saúde de surpresa e gerou uma onda de críticas nas redes sociais. A relação da marca com a região é tão profunda que o próprio Sidney Oliveira negociou o naming rights da estação de metrô local, que hoje se chama Saúde-Ultrafarma.
“Abandonar totalmente a Saúde é virar as costas para o bairro que o acolheu. Até o nome da estação ele mudou e agora abandona os clientes antigos”, desabafou um internauta. Outros clientes lamentaram a distância da nova unidade: “Da Saúde para a Zona Norte é muito longe, vai perder muitos clientes”.
Por outro lado, houve quem celebrasse a inovação. “Tudo em um só lugar? Farmácia, ótica e suplementos? Que maravilha!”, comemorou uma seguidora da marca.
Ainda não há uma data oficial para o encerramento das atividades na Avenida Jabaquara nem para a inauguração da nova mega-loja na Zona Norte.
